Abandono Paterno: é necessário falar


Tradicionalmente, no mês de agosto celebramos o Dia dos Pais. A ideia surgiu nos Estados Unidos, no ano de 1909. Já em solo brasileiro, a primeira comemoração ocorreu em 16 de agosto de 1953 e, após a repercussão, foi deslocada para o segundo domingo desse mesmo mês, o que é mantido até hoje.


Ao aproximar da data, é natural observarmos os anúncios que começam a tomar conta de jornais, revistas, internet, televisão e pontos de ônibus. Tudo para aumentar o desejo de dar um presente ao pai e se reunir em um habitual almoço de domingo em família. Além de movimentar o comércio, o Dia dos Pais também carrega um grande significado de amor e carinho.


Mas, apesar das campanhas publicitárias que ressaltam um lindo lar familiar composto por pais presentes, a realidade do Brasil é muito diferente, com um grande descaso que ocorre dentro de milhares de casas: o abandono paterno. Segundo levantamento da Central Nacional de Informações do Registro Civil (CRC), mais de 80 mil das crianças registradas nos cartórios brasileiros, somente no ano de 2020, possuem o nome do pai em branco nas certidões de nascimento. Além disso, de acordo com o IBGE, cerca de 12 milhões de mães chefiam lares sozinhas, das quais mais de 57% vivem abaixo da linha da pobreza.


Nesse cenário, o impacto na vida dessas crianças que não foram registradas pelo pai se torna ainda maior ao longo dos anos e traz grandes consequências para os futuros adultos que crescem com trauma de abandono e pode ver isso interferir em diferentes áreas da vida. Para os filhos, o afastamento do pai sempre tem importância.


A ausência pode ocasionar deficiências no comportamento mental e social para o resto da vida, o que pode comprometer o desenvolvimento saudável da criança. Ela pode se isolar do convívio de outras pessoas, apresentar problemas escolares, depressão, tristeza, baixa autoestima, além de problemas de saúde.


Dado isso, o que vemos nessas campanhas, muitas vezes, não representa, de fato, a realidade de muitos brasileiros. Fechar os olhos e fingir que esses casos não existem é fazer com que o número cresça cada vez mais e se torne algo “normal” na sociedade, uma vez que não se vê constantemente protestos contra essa atitude. A responsabilidade que os pais têm na vida de uma criança é inquestionável. Com base na versão jurídica: “amor é facultativo, porém, o cuidar é dever”.


- Por Luciana Vianna, do GMI

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