Coronavírus: um holofote para os desafios da comunicação


Começar esse artigo dizendo que nunca foi tão difícil ser comunicador nesse país seria redundante, pois sempre foi. Só que agora, temos desafios mais encorpados e preocupantes. O que vemos no Brasil desde a chegada da COVID-19 é um desencontro desesperador na busca de informações sobre o vírus e a prevenção contra o contágio, misturado com o pouco desejo das autoridades públicas em dar a devida importância ao assunto, além de virar um grande eco para a verdadeira informação, desorientando e desinformando a sociedade.

E esse virou nosso maior desafio: manter uma população informada com transparência, clareza e verdade. Na era das fake news, essas três características são essenciais para a diferenciação de conteúdo. Sem elas, é impossível se fazer comunicação, que caso fosse feita de modo correto, seria totalmente capaz de contribuir para o enfrentamento da pandemia de modo colaborativo, com governo e sociedade.

Digo correto, pois muitos canais de comunicação foram criados desde o início dessa pandemia. Canais de nível estadual e federal, que replicam informações por todas as mídias sociais, e que mostram pouco do muito que deveria ser esclarecido. Afinal, até que ponto essas informações seriam precisas e claras? A disponibilização desses dados não garante sua transparência, muito menos o envolvimento da sociedade, o que acaba trazendo uma série de ruídos, bloqueando a efetividade de nossas informações.

Já para os comunicadores de outros segmentos, o ruído vem de forma estarrecedora e por vezes, desanimadora. Vemos nossos colegas enfrentando inúmeros problemas desnecessários, tratamentos rudes e total atropelo de informações. Nós sabemos o tamanho do esforço que é necessário para buscar e estruturar esse tipo de conteúdo. As noites sem dormir, o desgaste físico e psicológico de quem precisa ser fiel em suas informações. E saber que tudo isso seria facilitado, se obtivéssemos o real apoio e credibilidade de um poder dito ‘’supremo’’, é mais desgastante ainda.

Com isso, encerro esse artigo com algumas perguntas: A comunicação sobreviverá ao poder público, ou terá sempre o obstáculo de uma profissão que sequer pode ser reconhecida em sua totalidade?


Por: Stephanie Ferreira

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