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Crise política na Bolívia dá prejuízo diário de R$ 1 milhão para o Transporte Rodoviário de Cargas

Atualizado: Fev 4



Após Evo Morales ser reeleito no dia 20 de outubro, para seu quarto mandato

consecutivo, protestos tomaram as ruas da Bolívia. Simpatizantes de Carlos Mesa,

opositor de Evo, denunciavam fraudes na apuração. Nem o anúncio de novas eleições

foi suficiente para conter a oposição e manter o apoio dos militares, que naquele

momento já não reprimiram as manifestações.


Então, no último domingo, 10 de novembro, os chefes das Forças Armadas e da Polícia

pediram que o até então Presidente Evo deixasse o cargo para "pacificar o país". O

vice-presidente Álvaro García, a presidente do Senado, Adriana Salvatierra, o

vice-presidente do Senado, Rubén Medinacelli, e o titular da Câmara dos Deputados,

Víctor Borda, também renunciaram seus cargos. Nesta segunda-feira 11, a segunda

vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez, reivindicou o direito de assumir a

presidência do país. À imprensa, ela disse que só pretende assumir a função para

convocar novas eleições.


As manifestações e a forte instabilidade política travaram o transporte rodoviário de

cargas entre Brasil e Bolívia: “Desde a semana passada nenhum caminhão está

ingressando na Bolívia e os que já estão lá, não conseguem sair. O Comércio com a

Bolívia está literalmente parado. Pela fronteira estão circulando pessoas e produtos de

primeira necessidade”, afirma o Coordenador da COMTRIN - Comissão Permanente de

Transporte Internacional da NTC&Logistica, Ademir Pozzani.


A empresa ABC Cargas, associada a entidade, também tem enfrentado problemas com

o caos vivido na Bolívia. “Temos um fluxo pequeno de Transporte de Caminhões novos

para a Bolívia, mas desde o início da crise política nosso cliente resolveu interromper o

fluxo. Temos produtos parados em nossa base no Rio de Janeiro e no Porto Seco de

Corumbá, Mato Grosso do Sul” afirmou o presidente da companhia, Danilo Guedes.


A Transportadora Falcão Ltda, do empresário Bruno Henrique Santana, está com seus

caminhões parados e carregados no pátio “faz 21 dias que estamos parados,

esperando para ingressar novamente na Bolívia, a Aduana boliviana não está

trabalhando, a fronteira está fechada e estamos esperando alguma solução por parte

do povo boliviano, para liberar as vias e a fronteira. O prejuízo é gigantesco e já chegou

à casa dos 7 dígitos. Imagine somando todas as transportadoras.”


Segundo dados divulgados pelo presidente da Setlog Pantanal, entidade associada a

NTC, Lourival Vieira Costa Júnior, são aproximadamente 40 transportadoras afetadas e

quase 500 caminhões impedidos de trafegar na fronteira de Brasil e Bolívia. O impacto

econômico para o transporte rodoviário de cargas pode chegar a 1 milhão de reais de

prejuízo por dia.


Ainda segundo Junior, a Setlog Pantanal entrou em contato com a Câmara Boliviana de

Transporte Nacional e Internacional, que afirmaram que ainda essa semana, o

problema com os caminhões e profissionais do transporte estará resolvido.


A NTC&Logística, representando seus associados que operam no transporte

internacional rodoviário de cargas está acompanhando o desenrolar desses

acontecimentos, não só na Bolívia bem como no Chile. Os estudos desenvolvidos pelo

DECOPE/NTC - Departamento de Custos Operacionais da NTC, informam sobre os

custos do veículo parado que é de U$S 275 (carga seca) e de U$S 450 (carga

refrigerada). Esses valores estão relacionados com salários e encargos do motorista,

seguro, despesas em geral que são custos fixos. No caso do veículo com carga

refrigerada, além desses custos fixos há o combustível para fazer a refrigeração do

veículo já que o motor é a diesel.


“O comércio entre Brasil e Bolívia tem uma lista ampla com produtos manufaturados

dentre os itens. A importação brasileira está relacionada com commodities –

principalmente borato, ureia dentre outros. No caso do Chile, outro país que vem

sofrendo com a crise política, a importação brasileira está mais concentrada no

pescado, frutas e vinhos. Com esse impasse na política desses países tememos pela

escassez dos produtos importados” comenta Ademir Pozzani.

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