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Da síndrome de Clark Kent à mentiroso: um panorama da imagem do comunicador



Por: Beatriz Duarte, Assistente de Comunicação e Imprensa do GMI


O ano é 1455 e sai o primeiro livro impresso: a Bíblia. Graças à Gutenberg e à um aparelho altamente complexo e inovador para a época, a comunicação pode tomar um rumo que, como sabemos, seria sem volta. A facilidade de tipografar textos e livros fez com que conteúdos chegassem até as partes mais marginalizadas da sociedade do século XV, além de favorecer o livre pensamento e começar um processo de democratização da cultura.

Um processo longo foi percorrido até culminar no que pode ser chamado de o nascimento do jornalismo. A cidade é Paris, século XVII, e é possível ver várias pessoas com sua La Gazette semanal. O mesmo se repete na Alemanha com Deutseh Frankfurt e na Itália com a Gazeta de Veneza. As pessoas podiam ficar sabendo quem se casou, quem faleceu ou nasceu, quem roubou a padaria ou que finalmente pegaram os invasores da mansão da Quartier Latin.

Um salto para 1928 mostraria a primeira transmissão com sinal ao vivo, mostrando o candidato do Partido Democrata dos Estados Unidos aceitando sua indicação. Esse é o considerado o primeiro evento noticioso, o qual abriu espaço para os telejornais. Nestes estavam embutidos os homens de voz grossa e séria, sempre de ternos perfeitamente ajustados. Os considerados modelos de masculinidade e galãs que consolidaram a imagem do comunicador nessa época: os âncoras. O surgimento desta função foi a consolidação de um fenômeno chamado Síndrome de Clark Kent.

Clark Kent é o pseudônimo usado pelo famoso e galã heróis dos quadrinhos, Super-Homem, que a noite arriscava a vida para salvar as pessoas do mal e de dia trabalhava como repórter em uma redação de jornal. A concepção fictícia passou como por osmose para os comunicadores, que assumiram a pressão de salvar as pessoas de mentiras e enganações ao mostrar a verdade do que estava acontecendo no mundo. Os âncoras, com sua postura impecável, treinamentos com fonoaudiólogas e laquês aplicados a cada intervalo, contribuíram para construir essa imagem de invencível e detentor de poder do comunicador.

Obviamente, o tempo passou e a figura de comunicador recebeu outro codinome: vilão. Apesar do que se acredita, as chamadas fake news apareceram bem antes da ascensão de mídias sociais e tecnologia. A manipulação de informações permeou muitas guerras e eleições antes mesmo de se inventar a palavra internet. Entretanto, é fato que a facilidade de criar conteúdo nas redes impulsionou o fenômeno das fake news, o que novamente passou como por osmose para a figura do comunicador.

Qualquer um pode criar um site, dar um nome e chamar de veículo de comunicação. Porém só os que possuem conhecimento do processo de construção de uma notícia são os verdadeiros comunicadores.

“Minha avó me mandou uma mensagem falando que o coronavírus foi feito pela China para diminuir a população mundial, tenho certeza que é verdade. Vovó Nena nunca mentiria para mim”. Pois é, mas podem mentir para a vovó Nena e para qualquer outro que recebeu essa mensagem encaminhada. Fake news são falácias. Assim como pode haver um comunicador que faz uso de sua posição para emitir notícias falsas e manipuladas, pode haver advogados que usam sua profissão para buscar vingança pessoal ou funcionários que adulteram os frasquinhos de Tylenol e envenenam parte da população.

Comunicadores: heróis, vilões, cidadãos comuns, anônimos… E agora? Só o tempo irá dizer o novo codinome.

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