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Dia Mundial do Meio Ambiente reforçou a necessidade de incentivarmos a educação ambiental


O final de semana é o momento que temos para descansar, sair com os nossos familiares e amigos, praticar hobbies e esquecer dos problemas e dos compromissos da vida. Entretanto, aos que estão atentos aos rumos do Brasil nos próximos anos, não deu para deixarmos de pensar em questões sérias neste último domingo (05), pois tivemos o Dia Mundial do Meio Ambiente.


Longe de ser apenas mais uma campanha para falar sobre a importância da sustentabilidade, a data foi uma ocasião para nos atentarmos à urgência de olhar para aspectos do ESG que não ganham o mesmo holofote que outras pautas, como o aquecimento global, as energias sustentáveis, entre outros. Em ano de eleições, precisamos ser rigorosos e observar como os candidatos se posicionam em relação aos assuntos pouco discutidos dentro de áreas já consideradas “clichês” nos debates, como a segurança, a educação e, claro, o meio ambiente.


Durante as minhas pesquisas para me informar e definir quem terá o meu voto, desde que me entendo enquanto ser político (logo, humano), jamais vi o urbanismo ocupar a devida atenção dos discursos públicos dos nossos representantes. Na minha ingenuidade, pensei que o período de 2020 a 2022 representaria uma mudança nesse sentido, mas, até o momento, não vi isso acontecer.


Sim, eu sei, é repetitivo mencionar a pandemia em um texto informativo, porém, perdoe-me leitor, pois preciso utilizá-la como base para a minha argumentação. Com a última crise de saúde provocada pela covid-19, as áreas vulneráveis no estado de São Paulo foram impactadas. De acordo com os dados produzidos e divulgados pela Fundação Seade, em 2022, SP possui 335 mil moradias em condições precárias, com 1,6 milhão de habitantes sem acesso à água potável e 6,3 milhões sem o tratamento de esgoto.


Dos 45 milhões de habitantes que fazem parte do estado, 96% vivem em áreas urbanas. E para não ficar apenas na região onde habito, quem acompanhou o noticiário, nos últimos dias, viu a situação em Recife após as chuvas e sabe bem qual o resultado da instalação de uma residência irregular.


A infraestrutura do espaço onde se localiza uma casa ou apartamento não influencia somente no seu desabamento, mas também na oferta de saneamento básico, segurança, mobilidade para ir ao trabalho ou à escola, e diz muito sobre a qualidade de vida de uma família. Nas conversas com meus amigos, costumo enfatizar sempre que políticas públicas jamais devem ser observadas isoladamente. Ou seja, de nada adianta olharmos para a educação e achar que os problemas históricos dessa área serão solucionados por si só.


Precisamos analisar o contexto e pensar em como o urbanismo está relacionado à saúde; e este, à educação é o primeiro passo. Da mesma forma, o inverso também vale e, com isso, destaco duas palavras do título deste texto: educação ambiental.


O termo, criado no século XX, refere-se à necessidade de criar e levar iniciativas de conscientização ao meio ambiente às salas de aula. Apesar de, historicamente, definirmos a Conferência de Estocolmo (1972) como o início do uso dessa área, o livro de 1962 da jornalista Rachel Carson, com o nome “A Primavera Silenciosa”, já tratava da questão de maneira implícita. Detalhe: o texto de Rachel foi o primeiro grande relato jornalístico sobre os desastres ambientais no mundo e, até hoje, um clássico do movimento ambientalista


— — — — Fica aqui a dica de leitura, inclusive. Tá baratinho na Amazon :) — — —


Dizer que educação é o caminho para a resolução de problemas e o desenvolvimento de uma nação não está nem perto de ser senso comum. Conversando, recentemente, com um dos clientes da GMI, percebemos, após uma live na qual ele participou, o quanto nós, enquanto sociedade, precisamos voltar às bases. O tema do diálogo, no dia, era os acidentes nas estradas e o quão importante é a educação desde o ensino básico para a construção da consciência de respeito às normas de trânsito.


A mesma reflexão pode ser aplicada ao meio ambiente. Todavia, além de mostrarmos os impactos da emissão exagerada de poluentes na atmosfera e os perigos do desmatamento, acredito ser essencial mostrarmos a dimensão dessa área. Sustentabilidade é um tema riquíssimo, cheio de nuances e com profissionais extremamente qualificados e que fazem trabalhos incríveis.


E se a minha opinião não valer de muita coisa, talvez o posicionamento dos participantes da última audiência pública da Comissão do Meio Ambiente (CMA) possa trazer um senso maior de urgência ao assunto. Neste domingo, políticos, estudantes, acadêmicos, ativistas e lideranças indígenas cobraram dos nossos representantes a criação de ações para incentivar, valorizar e aplicar a Política Nacional de Educação Ambiental, também conhecida como a Lei nº 9.795, sancionada em 27 de abril de 1999.


Temos ótimos exemplos de iniciativas interessantes de políticas de infraestrutura em cidades brasileiras, como São José dos Campos, considerada a nossa primeira “cidade inteligente”, por atender aos critérios de qualidade de vida, sustentabilidade, tecnologia e economia, exigidos nas normas internacionais (ISOs) 3720, 37122 e 37123 da World Council Of City Data (órgão financiado pela ONU).


Porém, mais do que modernidade e inovação no urbanismo, apesar de isso ser bem importante, precisamos de que os nossos governantes assumam o protagonismo deles enquanto incentivadores da justiça e de políticas públicas de equidade social. Cidadania não depende de agenda eleitoral, sendo assim, quanto mais insistirmos na valorização dos nossos valores, tendo a educação como principal norteador dessa postura, melhores serão os incentivos para o desenvolvimento sustentável.

Gabriel Lacerda, Supervisor de Comunicação e Imprensa

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