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Crônica - Seu(s)

Atualizado: Mar 15

Por Gabriela Malta

Abaixou a tela do notebook, repousou os braços cruzados sobre a máquina e ali debruçou-se. À sua frente o mundo. O que via já era comum e esperado, mas algo estava diferente. O mundo? Ela? É, também estava com muitas dúvidas e sua ansiedade lhe questionava constantemente “Quando?”.

Seu olhar presenciou, através da janela, a grande metáfora sentida em seu íntimo. A sensação de ver o acontecer - aqui protagonizado pelo vento -, porém sem as respostas que Newton disse que um dia teria. A brisa tocava de leve seu rosto, mas apesar de senti-lo, era como se não estivesse ali. Ela? O vento? O silêncio da casa e das árvores pertencentes ao mundo do outro lado poderiam ser a resposta, certo? Eu não sei. Como um doce paradoxo o sentir da brisa tornou-se um carinho. Ela interpretou ser do Criador e a calmaria instaurou-se. Porém ultimamente seus pensamentos não estavam sendo tão amigáveis com ela mesma como antes. Antes? Bobeira. O tempo não é uma ampulheta...ainda bem. Voltar significaria enfrentar tudo de novo, os bons mas também os maus, feriu-se demais para reviver. Percebeu então que não era saudade. Medo? Talvez. Da reação deles. Da certeza dos machucados que viriam. De novo. Provavelmente dos mesmos. O peso de ter uma sombra às vezes pode ser cruel. Estúpido equilíbrio justo.

Um longo suspiro foi dado. Os produtos de vários gritos internos, questões, medos e inseguranças somaram-se criando um produto ainda maior: o ensurdecedor silêncio de não saber o que fazer. Mas na verdade ela sabia, porém o rebuliço era tamanho ao ponto de esquecer por alguns segundos. Quando foi que se tornaram tão altos? A mudança tem seus efeitos. Franziu a testa, talvez seja isso que o Criador esteja tentando lhe dizer. Tempo...tudo tem o seu tempo, e este era de se calar e apreciar. Acalmar-se. Descansar. Com um sorriso ladino, apreciou seus tons preferidos estampados no chão do universo. O quente do céu lhe confortava e lhe trazia a memória o que proferia sempre para si, mesmo quando direcionado para os outros. Vai dar bom. Preocupação, medo, insegurança, nada lhe pertence, ao mesmo tempo que sim. Já havia percebido as contradições que a fazia ser quem era. Acostumou-se. Entendeu. O tudo e o nada também é seu. Ainda bem

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