Sociedade do Cansaço: estamos todos doentes?



Byung-Chul Han é um filósofo teuto-coreano cujo trabalho se desdobra, principalmente, nas esferas de relações de poder, ideologia e saúde mental. Em seu livro “Sociedade do Cansaço”, o professor da Universidade de Berlim analisa o impacto da tendência à autovigilância, em nossas vidas pessoais e profissionais, como uma ferramenta de pressão socialmente imposta, e também como esta prática repercute em nossa saúde mental.


Baseando-se em conceitos estabelecidos por Michel Foucault, Han escreve que a sociedade ocidental já ultrapassou a disciplina externamente imposta e hoje se policia internamente; que a maioria nossos vícios e doenças são, de certa forma, auto impostos e que as mazelas de hoje não podem ser curadas com antibióticos ou vacinas.


Que, ao invés da sociedade disciplinar descrita pelo filósofo francês, vivemos em uma sociedade governada pela busca constante por “conquistas” e “realizações”, todas, é claro, obtidas única e exclusivamente através de nosso próprio mérito. Han argumenta que, ao deparar-nos com o (muitas vezes inevitável) fracasso e a (também inevitável) decepção, somos jogados a um estado catatônico, o qual nenhuma resposta médica é capaz de aliviar.


De fato, a transição de uma sociedade imunológica à uma sociedade psicológica é uma das

metáforas mais interessantes do livro. Ao mesmo tempo, há a redução da vida a um mero estado de fenômeno biológico; onde a “vivacidade” se dá em outras esferas, como a do consumo e a do trabalho. Han faz um bom trabalho ao explicar o porquê da grande batalha da juventude moderna contra a depressão e outros fenômenos psicossociais.


Embora um livro relativamente curto, “Sociedade do Cansaço” apresenta uma análise concisa sobre o estado atual de coisas e também proporciona uma reflexão interessante: se ser feliz é um requerimento, então seria a infelicidade um resultado do fracasso, ao invés de uma resposta apropriada às frustações? Ou vice-versa? Minha resposta é: estamos todos dando nosso melhor. Somos bons o bastante como já somos.


- João Vitor, Assistente de Comunicação e Imprensa na GMI

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