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THE HANDMAID’S TALE ESTÁ DE VOLTA!

Blessed be the fruit!


No último domingo (2), a quarta (e nova) temporada da série americana The Handmaid’s Tale chegou ao Brasil, um dia depois de sua estreia nas telas dos Estados Unidos, pelo canal Hulu. A nova temporada dá continuidade à epopéia de June Osborn, em sua tentativa de sair do território do regime teocrático de Gilead. A série já tem seus dez episódios confirmados, porém, por ora, apenas três estão disponíveis.


A série


Lançada em 2017, The Handmaid’s Tale é uma série que provoca. Provoca nosso senso humano de forma quase visceral. Da mesma forma que a obra provoca, é também uma hipérbole à la ‘baseado em fatos reais’. O Conto de Aia (título no Brasil) é baseado no livro homônimo escrito pela canadense Margaret Atwood e foi publicado em 1985.


É gozado se atentar à data de publicação do livro: 85. E é engraçado a perceptível ironia sádica de se pensar que, na época, a obra de Atwood era apenas uma hipérbole devaneada, apenas uma ficção que criticava uma sociedade distante e distópica. Hoje, realocando e adaptando a história de Margaret para um sociedade do século XXI, a série deixa seu espectador num constante estado de incômodo. Muito mais que isso, Handmaid’s Tale é uma série de sorriso amarelado, uma daquelas obras que lhe causam aquela risadinha de “Meu Deus, o que está acontecendo aqui?”; além, é claro, da angústia melancólica ininterrupta que nos faz tecer comentários criativos ao longo do episódio, como: “Meu Deus, até que não é tão distante assim…”.


De fato, Gilead, o país onde se passa a maior parte da trama da série, não é um país com valores tão distantes dos do Estados Unidos. Gilead é uma teocracia que segue rigorosamente à preceitos cristãos equivocados e distorcidos, mas que, em seu cerne, são bem semelhantes aos da América do Tio Sam. No universo da série, os Filhos de Jacó, um grupo religioso radical, dá um golpe de estado e instaura a República de Gilead, assumindo poder da maior parte dos estados que formavam os EUA.


No presente momento em que se passa a história, o mundo passa por uma crise de natalidade fortíssima, que os Filhos de Jacó usam como argumento para instaurarem a teocracia, pois “o estilo de vida americano estava em desagrado aos olhos de Deus”. A partir deste momento, as aias entram em ação: têm o pepel de gerar os filhos dos Comandantes de Gilead, já que suas Esposas não o podem. Estupradas mensalmente, as aias apenas são matrizes caninas abençoadas pelo Senhor e, quando enfim dão luz às crianças, são passadas para o próximo casal. De novo, de novo e de novo.


Contudo, muito se engana quem talvez pense que a República de Gilead apenas persegue mulheres criminosas aos olhos do Senhor (seja lá o que isso quer dizer). Para os homens de Gilead, todas as mulheres são criminosas aos olhos do Senhor! Nem mesmo as algozes Tias se salvam da opressão, fazendo por onde as palavras de Paulo Freire “ (...) o sonho do oprimido é ser o opressor”.


É importante esclarecer: The Handmaid’s Tale não é uma crítica ao cristianismo ou qualquer outra religião, pelo contrário. Muitas das ‘aias’ recorrem à fé para que possam suportar a violência de Gilead. O que O Conto de Aia faz, na realidade, é contar sob a perspectiva de uma handmaid sobre a misoginia que uma mulher sofre quando a agressão e opressão são "justificadas por Deus”.


A série então, até seu presente instante, é narrada pela aia (handmaid) June, e acompanhamos sua trajetória desde o princípio de Gilead, quando é separada de seu marido e de sua filha.


Apesar dos prêmios, trilha sonora e fotografias impecáveis, talvez o grande antagonista de The Handmaid’s Tale seja seu próprio sucesso: ao ganhar cada mais mais público e relevância, a série está a um passo de se prolixar. Mesmo não tendo problemas escrachados em sua narrativa, o ritmo prolongado no estilo “colocar mais água no feijão” é um ponto que, futuramente, pode comprometer o desempenho e a excelência da obra.


Vamos aos fatos: Handmaid’s Tale não é uma série fácil de engolir! Não é uma série leve, não é uma série afável. Assistir à saga de June, na maior parte das vezes, é angustiante e desesperador, porém a série tem um quê que desperta no espectador algo quase masoquista. Uma ânsia motivada pela esperança e pelo ódio ao patriarcado. Under His eyes!


- Caio Neumann, Assistente de Comunicação e Imprensa na GMI

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