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Nossa relação com as IAs: somos contra ou a favor?


A internet que conhecemos está morrendo. Pelo menos é o que acreditam os propagadores da chamada Teoria da Internet Morta, tema que ganhou corpo em fóruns de discussão no fim da década de 2010. Segundo esses conspiracionistas, desde 2016, o maior volume de tráfego na internet tem origem em bots (softwares computacionais automatizados), e não em interações humanas.


Considerando que a média mundial de tempo online é de 6 horas por dia (Global Digital Insights) e a média nacional é de 9 horas (Bain & Company), tal realidade pode ser problemática. Você passa mais de 9 horas diárias com seus pais, marido ou filhos? Se a resposta for não, significa que você passa mais tempo interagindo e sob influência de conteúdos gerados por programas de computador, e não por pessoas, segundo a teoria.


Ou seja, a internet não seria mais um espaço de convivência e compartilhamento de ideias entre pessoas, mas um campo de influência de bots criados por terceiros, com intenções desconhecidas, para manipular a opinião pública sobre o que sentir e acreditar.


Essa teoria ganhou novo fôlego com o boom das Inteligências Artificiais Generativas, iniciado com o lançamento do ChatGPT pela OpenAI, em 2022. Essa ferramenta permitiu que um usuário comum tivesse acesso a um programa de geração de texto a partir de comandos simples. Esse programa é capaz de responder perguntas e formular textos recorrendo a poderosos bancos de dados de buscadores de conteúdo, como o Google.


Pela primeira vez na história, uma pessoa sem intimidade com a escrita pôde formular, sem muito esforço ou tempo, textos complexos, claros e envolventes. Assistimos e seguimos testemunhando uma revolução em curso.


Em 2025, mais de 50% do conteúdo textual da web foi gerado por softwares, e não por humanos — um fato inédito. Apesar de não termos dados concretos sobre o volume de posts gerados por IA em redes sociais como Instagram e TikTok, é notório o crescimento desse tipo de conteúdo nessas plataformas.


IAs geradoras de vídeos incrivelmente realistas ou bem produzidos, a partir de prompts (comandos textuais) simples, vieram na esteira do ChatGPT e do frisson que ele despertou.

Você provavelmente já foi impactado por vídeos de frutas animadas, com bocas e olhos, despejando supostas verdades sobre seus benefícios, certo? Ou vídeos de pessoas reais tirando selfies com personalidades e personagens famosos, porém já falecidos ou sem a aparência da juventude.


Isso significa que a Teoria da Internet Morta é uma realidade e que as IAs devem ser tratadas como vilãs?


Big techs estão preocupadas: boa notícia


Sim, é verdade que o aumento do volume de conteúdos criados por IAs explodiu nos últimos meses, e a maioria se trata de entulho digital: posts genéricos e de qualidade duvidosa. Pior ainda: o uso de IAs para a criação de fake news teve um salto assustador e tornou as mentiras propagadas na web mais sofisticadas e visualmente poderosas.


A internet ficou mais poluída, com conteúdos enganosos e repetitivos. A experiência do usuário se tornou menos satisfatória, e isso gerou um curioso paradoxo: a qualidade diminuiu, o perigo aumentou, mas esse cenário, em vez de criar uma crise sem precedentes, tem proporcionado a aplicação de soluções que dão esperança para um futuro mais promissor.


Explico: quanto mais entulho digital ocupa as redes sociais, maior o perigo para quem depende de que as pessoas fiquem cada vez mais grudadas na tela do smartphone. No caso, as big techs — as donas do dinheiro. Se os usuários ficarem irritados e deixarem de frequentar as redes ou encontrarem outras que lidem melhor com esse problema, uma crise se avizinha e se agiganta.


Se há uma constante na história do capitalismo, é a seguinte: se um problema mexe com o modelo de negócio de quem manda no jogo, pode ter certeza de que soluções serão criadas — sejam elas razoáveis, sejam elas amargas.


Tais soluções já estão em andamento. A Meta atualizou recentemente seu algoritmo para privilegiar conteúdos “mais relevantes” para seus usuários. Se antes fazia sentido produzir centenas de versões do mesmo conteúdo para avaliar qual despertava mais interesse, agora a realidade é outra. Com o Andrômeda, a Meta quer evitar conteúdos repetitivos e genéricos, privilegiando a entrega de conteúdos originais, em formatos diversos e humanizados.


O Google também correu atrás para evitar que o feed do YouTube fosse tomado por vídeos produzidos por IAs. Em 2025, restringiu a monetização desse tipo de conteúdo.

Isso não mina a criação via IA, mas inibe a produção genérica, baseada em prompts básicos ou que meramente reciclam conteúdos antigos.


A onda de desinformação, potencializada por vídeos e imagens gerados por IA, tem movimentado poderes legislativos no Brasil e no mundo.


Brasil, França e Índia se uniram, na última quinta-feira (19), em defesa da regulação mundial da inteligência artificial, em um encontro com gigantes da tecnologia em Nova Déli, capital da Índia.


O futuro é híbrido


As redes sociais estão apontando o caminho: não basta volume; é preciso ter qualidade, criatividade e personalização. O fator humano continua sendo indispensável para gerar resultados significativos — afinal, esse é o objetivo de quem depende da internet para promover o próprio negócio.


Isso não significa que sejamos luditas, contrários à aplicação de novas tecnologias na rotina de trabalho. O uso dessas ferramentas generativas apresenta benefícios incontestáveis e que não prejudicam a qualidade do conteúdo, se utilizados da maneira correta.

Aqui, no GMI, entendemos que a tecnologia deve caminhar ao lado da inteligência humana. Por isso, em 2025, foi criada uma política interna para a utilização de ferramentas de Inteligência Artificial, construída a partir de conversas e trocas entre as lideranças das diferentes áreas da empresa.


Essa iniciativa surgiu da necessidade de estabelecer critérios claros para o uso dessas tecnologias, respeitando um dos pilares centrais do GMI: a valorização humana no processo criativo e estratégico. A política define que as ferramentas de IA devem ser utilizadas como instrumentos de apoio ao trabalho, auxiliando em processos de pesquisa, comparação de informações, organização de ideias e estímulo à criatividade.


Também partimos de uma premissa importante: utilizar bem uma ferramenta de inteligência artificial exige conhecimento e responsabilidade. Muitas pessoas acreditam que basta fazer um pedido simples para obter bons resultados, mas nossa experiência mostra que não é bem assim. A forma como a solicitação é feita — os comandos, o contexto e o direcionamento — influencia diretamente na qualidade da resposta.


Um pedido mal formulado pode gerar conteúdos imprecisos, genéricos ou até contrários ao objetivo estratégico de um cliente. Por isso, no GMI, acreditamos que o uso dessas tecnologias deve ser conduzido com critério, visão estratégica e revisão humana.

Nesse sentido, nossa política estabelece que a IA deve funcionar como um recurso complementar à rotina de trabalho, ajudando a aprimorar processos e reduzir o tempo de produção. Jamais a utilizamos como uma terceirizada para executar o trabalho de ponta a ponta. Para nós, a inteligência artificial é uma alavanca que potencializa a capacidade criativa das pessoas — e não um substituto para elas.


Este texto é um exemplo. Ele foi criado do zero por um humano, mas, como seu tamanho passou um pouco da média habitual do GMI, pedimos à IA que o reescrevesse em uma versão mais resumida. O texto passou por nova revisão humana e uma revisão final feita pelo CEO e fundador do GMI, Rodrigo Bernardino. Aplicamos os ajustes que consideramos necessários, checamos os dados informados e chegamos ao resultado final em menos tempo do que seria necessário antes da IA. Ganhamos tempo para nos concentrar em outras tarefas, sem deixar de produzir conteúdo original e alinhado à nossa estratégia de comunicação.


Os desafios e problemas advindos do uso da IA são uma realidade e necessitam de esforço conjunto da sociedade para serem enfrentados. Porém, o problema não reside na existência ou no uso dessas ferramentas, mas na forma como nós, humanos, as utilizamos.


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