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Dia do combate a homo, trans e bifobia:

10 músicas que marcaram a comunidade LGBTQIAP+ nas últimas seis décadas


O dia 17 de maio marca uma data importante para as pessoas que compõem a comunidade LGBTQIAP+. No mesmo dia, em 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou oficialmente a homossexulalidade do Código Internacional de Doenças (CID). Sim, é de se espantar que seja algo recente. Dez anos separam o meu nascimento, em 2000, do ano de 1990. Se tivesse nascido 10 anos antes, eu seria considerado doente. Por isso, a partir de 2004, nesta data se comemora o Dia Internacional Contra a Homo, Trans e Bifobia.


Para esta data tão especial e importante para a comunidade (e já servindo de esquenta para as celebrações do mês do orgulho, em junho), separei 10 hinos que foram e ainda são importantíssimos para a resistência LGBTQIAP+ no Brasil, um país que, de acordo com levantamento realizado pelo Grupo Gay da Bahia, vitimou cerca de 242 pessoas por conta e homocídios, além de 14 suicídios.



#10 - MENINOS E MENINAS, LEGIÃO URBANA


Ao iniciar nossa lista, voltamos um pouquinho no tempo. Especificamente, para 1989, ano de lançamento do quarto álbum de estúdio da banda brasiliense Legião Urbana, o disco “As Quatro Estações”. Dentre os diversos hits que fazem parte do álbum, em “Meninos e Meninas” Renato Russo, o vocalista e letrista da banda, se expõe de forma íntima e corajosa.


Ao longo de três minutos e meio de música, Renato conta com leveza, de forma até infantil, sobre o fato de simplesmente gostar de meninos e meninas de forma igual, tendo o mesmo interesse romântico por ambos os sexos.


Renato Russo sempre foi um ativista feroz em relação a pautas minoritárias. Em inúmeras de suas apresentações ao vivo, subia ao palco com um broche de um triângulo cor-de-rosa, que era o símbolo usado pelos nazistas para identificar homens gays nos campos de concentração.



#9 - HOMEM COM H, NEY MATOGROSSO


Um pouco antes da supracitada “Meninos e Meninas”, “Homem com H”, interpretada por Ney Matogrosso já causava incômodos desde 1981. Composta com Antônio Barros, a canção debocha explicitamente de estereótipos masculinos que, à época, eram ainda mais enraizados na sociedade brasileira.



#8 - TODA FORMA DE AMOR, LULU SANTOS


Nosso oitavo lugar sempre foi considerado a música de muitos casais e sempre foi relacionada com relacionamentos não tradicionais e heteronormativos. Há poucos anos, entretanto, a música ganhou novo sentido: aos 65 anos, o cantor Lulu Santos assumiu um relacionamento com outro homem, declarando sua bissexualidade. A canção passou a ser, então, muito mais que uma canção romântica sobre amor entre diversos tipos de pessoas, tornou-se o hit mais identitário de Lulu.



#7 - FLUTUA, JOHNNY HOOKER & LINIKER


Uma das mais recentes e um dos mais belos clipes da lista, “Flutua” foi lançada em 2017 e já pode ser considerada um hino. Além do casamento perfeito entre as vozes de Johnny e da Liniker, o clipe nos tira algumas lágrimas desavisadas. Contanto a história de um casal gay que passa por uma situação de violência física numa rua de São Paulo, o clipe mescla com exímia delicadeza a letra e melodia suave da canção, com momentos apreensivos de conflitos protagonizados por dois jovens amantes.



#6 - INDESTRUTÍVEL, PABLLO VITTAR


Conhecida por seu som alegre e dançante, a drag queen Pabllo Vittar nunca escondeu suas cicatrizes causadas por violências que passou durante a infância e adolescência. “Indestrutível”, apesar de muito mais nova que algumas músicas já citadas nesta lista, já tem um lugar especial como música de resistência.


Com melodia mais melancólica e versos íntimos, Pabllo expõe sua versão mais nova, relembrando momentos de violência e bullying que sofreu quando estava na escola. O clipe, em preto e branco, narra os eventos vividos por um jovem LGBTQIAP+ que sofre agressões constantes de colegas da escola. No entanto, a canção tem o poder de empoderar, pois em seu refrão, a drag queen esbraveja a palavra “indestrutível”, gritando ao mundo que apesar da violência, não será isso o que irá destruí-la.



#5 - I WANT TO BREAK FREE, QUEEN


Um dos clássicos da banda britânica Queen não poderia faltar, por isso seu lugar na lista é o de número cinco. Com um clipe divertido e bem-humorado, “I Want to Break Free” se tornou um hino para a comunidade por simplesmente enfatizar o genuíno desejo de um grupo que está à margem: EU QUERO ME LIBERTAR!



#4 - DANCING QUEEN, ABBA


Uma das mais antigas da lista, “Dancing Queen” foi lançada em 1976, na era Disco da música. Cantada pelo grupo sueco ABBA, a canção ganhou o coração da comunidade gay (como se referia à época) dos anos 70. Em 2008, estrelado por Meryl Streep, o filme “Mamma Mia!” foi responsável por trazer ABBA de volta para os holofotes, com trilha sonora exclusiva de músicas da banda.



#3 - BORN THIS WAY, LADY GAGA


A Mother Monster não poderia ficar de fora desta lista, muito menos do top três! Lady Gaga, desde seu começo, foi amada e, constantemente, acusada de plagiar Madonna, sua “equivalente” das décadas de 80 e 90. No entanto, as duas divas do pop já fizeram as pazes e “Born this Way” é considerado um dos hinos da comunidade LGBTQIAP+ até hoje, mesmo depois de 12 anos de seu lançamento, defendendo que não se escolhe ser gay, se nasce assim.



#2 - VOGUE, MADONNA


A rainha do pop não poderia ficar fora da lista (e sim, ela tinha que estar à frente de Gaga, mesmo que por uma colocação). Abalando as estruturas da sociedade estadunidense da década de 90, Madonna foi e ainda é forte aliada para a comunidade, auxiliando a dar voz a pautas minoritárias desde quando não era lucrativo defender gays publicamente. “Vogue”, além de se diferenciar visualmente, trouxe elementos de dança chamados “voguing”, popular entre LGBT’S dos anos de 1990.


  • Menção honrosa: É importante também acrescentar nesta lista a música “Express Yourself”, que desde 1989 vem incentivando que as pessoas se expressem e sejam do jeito que quiserem.



#1 - I WILL SURVIVE, GLORIA GAYNOR


Ao longo do processo de escrita deste artigo me perguntei sobre qual canção ficaria em primeiro lugar. E, sem sombra de dúvidas, não poderia ser outra música. Desde pequeno sentia uma angústia ao ouvir “I Will Survive” pois suas notas eram sempre acompanhadas de alguns cochichos “essa música é de gay”, “essa música é o hino dos viados”, portanto, era obviamente algo ruim.


Porém, já mais velho e com o simples acesso de uma tradução ruim na internet já é possível entender — ao menos tentar — o motivo dessa aversão. “I Will Survive” consegue unir resistência à dança! É uma música capaz de empoderar e jogar você para dançar. Não é à toa que depois de 42 anos de seu lançamento o hino de Gloria Gaynor continua sendo lembrada, enaltecida e amada por velhas e novas gerações de LGBTQIAP+. Eu vou sobreviver! Enquanto eu souber como amar, saberei que ainda estou viva! Por este motivo, afinal, Gaynor ocupa o primeiríssimo lugar!


Caio Neumann, Assessor de Comunicação e Imprensa do Grupo Mostra de Ideias

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